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A bola do mundial era cientificamente imprevisível

Ao que parece, a moda deste verão no futebol, quando os jogadores faziam asneira, era deitar as culpas na bola. Até se chegou ao ponto de arranjar cientistas para analisar a dimensão, o peso e o material da bola a fim de definir se a mesma é ou não adequada para praticar um desporto que, há décadas, se fazia com bolas não testadas cientificamente. Parece impossível que se queira desculpar a falta de perícia de um jogador com as falhas técnicas da bola. Mas, assim, se vê a evolução: antigamente eram os jogadores que eram «nabos»; hoje em dia, é a bola, que não cumpriu o seu dever de ir enfiar-se na baliza do adversário da equipa em questão. Só falta dizerem que também estava «comprada». Qualquer dia temos casos de «lona dourada». Desde que veio um senhor dizer que a bola usada no mundial deste ano não era adequada por isto ou por aquilo, que era muito leve, tinha "trajectórias imprevísiveis" e por aí fora, que o Jorge Jesus não perdeu tempo a aproveitar a deixa para desculpar ...

A linha do desabafo

Há pessoas que tomam o conceito Linha de Apoio ao Cliente demasiado à letra. É inacreditável a quantidade de gente que liga para as linhas de atendimento das empresas supostamente com o intuito de esclarecer dúvidas e aproveita para «despejar» os pormenores da sua vida pessoal. Relatam as suas doenças, as da família, os conflitos com os vizinhos, as dificuldades financeiras, o insucesso profissional, as más condições da sua habitação e assim por diante, na esperança que os operadores sejam solidários e lhes ofereçam de facto algum apoio, neste caso, moral. É claro que, no final de tudo, quem precisa realmente de apoio são os operadores, pela paciência que dispensaram ao cliente. Também é interessante quando liga alguém, o operador atende: - "Empresa X, boa tarde, fala a Ana." - e o cliente responde: - "Olá Ana, eu sou a Margarida..." - como se o facto de saber o nome do operador desse ao cliente uma sensação de familiaridade com o seu interlocutor, de forma que se ...

Telemóveis de 6ª geração

Já não sobra muita coisa para incorporar num telemóvel. Antes ainda podíamos dizer: - Só falta tirar cafés. Agora já nem isso, visto já que já inventaram um que funciona tipo Nespresso. Onde vai este mundo parar que já não se pode dizer uma piada sem que peguem logo nela e a tornem realidade? Portanto, só me resta dizer que só falta mesmo incorporarem um isqueirito para o pessoal fumar o cigarrinho juntamente com o café. Insiram, também, um depósito para o whisky para quem gosta e um para leite para fazer galão. Já que estamos numa de implementações, metam também uma funcionalidade para fazer torradas. Juntamente com o galão, já poupávamos imenso tempo no pequeno-almoço. Já agora, se não for pedir muito, metam qualquer coisa para tirar imperiais e um depósito para tremoços, amendoins ou azeitonas. A meio da tarde, caía bem a muita gente e os homens da construção civil haviam todos de querer um. Para as senhoras, inventem um em cor-de-rosa que prepare chazinho e biscoitos. Em Inglaterra...

Frio ou calor? Eis a questão!

Admiro imenso esses indivíduos que vão para a rua correr às 8 da manhã usando apenas uma t-shirt e uns shorts justinhos quando estão temperaturas abaixo dos 10ºC. É que, para além de se arriscarem a ser confundidos por se apresentarem nessa figura acompanhados de alguém do mesmo sexo, tanto frio e tão pouca roupa não lhes deve ser benéfica para certas partes do corpo. Da mesma forma, vejo pessoas que vão para o ginásio (local onde existe ar condicionado) vestidos quase como se fossem para a neve. Outra mania esquisita é essa das miúdas de agora usarem um blusão de penas que lhes chega pelas costelas e o resto da barriga à mostra. Não percebo qual é a ideia, visto que é um casaco muito curto para usar no inverno e muito quente para usar no verão. Chego à conclusão que a vaidade de andarem vestidas como vêem nos videoclips torna as raparigas muito acaloradas. No entanto, nos rapazes, verifica-se o oposto porque os apreciadores dos videoclips de hip-hop usam sempre, pelo menos, uma t-shir...

Prevenção de acidentes pedonais

Passo a vida a ouvir falar de acidentes rodoviários e de prevenção para os mesmos e ninguém parece perceber que esse é um reflexo do que acontece no mundo pedonal. Se há gente que não sabe andar a pé, como é que vai saber andar na estrada? Eu proponho a imposição de medidas que facilitem a mobilização pedonal. Essas são as seguintes: Medidas de prevenção de acidentes pedonais - Obrigação de circular pela direita - Temos muita pena, mas cada um usar o lado do passeio que mais aprova não dá com nada; - Imposição de limites mínimos de velocidade e/ou obrigação de facilitar a ultrapassagem - Porque isto há gente que anda "a pisar ovos" e que, ainda por cima, não deixa passar quem vem atrás; - Obrigação de moderar a velocidade antes de travar ou mudar de direcção - A malta que pára de repente ou muda de direcção "sem fazer pisca" também provoca acidentes em cadeia; - Proibição de estacionamentos em segunda e em terceira fila - Aglomerados de gente parada no meio do passe...

Sem talões, cartões nem a treta das fidelizações

Em qualquer sítio que entremos actualmente, querem automaticamente impingir-nos um cartão de fidelização. Em suma, querem obrigar-nos a voltar lá após a compra de uma simples pastilha elástica. Existem cartões para tudo: - Para os supermercados e hipermercados; - Para as lojas de roupa e acessórios; - Para as perfumarias; - Para as livrarias; - Para as papelarias; - Para os clubes de vídeo; - Para os postos de combustível; etc. Convencem-nos a aderir assim que lá entramos e nós vamos atrás da conversa convencidos que, se o fizermos, saímos de lá mais depressa. O problema é que, quando olhamos para dentro da carteira, temos montes de cartões de fidelização (mais os respectivos minis nos porta-chaves). Como se isso não bastasse, posteriormente, ainda nos enchem a caixa do correio com promoções, cupões de desconto e ofertas de adesão. Isto para juntar aos talões que nos oferecem no local. O resultado é que, quando vamos às compras, quase que temos de levar um dossier com toda a papelada, ...

Usas um detergente normal?

As coisas que se dizem nos anúncios de hoje são mesmo totalmente absurdas. Uma delas é essa do "Usas um detergente normal?" Como se hoje em dia existissem detergentes normais. Isso era coisa de antigamente. Agora só existem detergentes para as lãs, com lexívia para os brancos, para proteger os pretos, para proteger as cores, com aloé vera, com pérolas activas, para além da enorme gama de aromas disponíveis. Nada de detergentes normais. Também já não existem cabelos normais. Os champôs, embora tenham sempre um produto para cabelos normais, ninguém o compra. Toda a gente quer um para cabelos secos, cabelos oleosos, reparador, para alisar, para definir os caracois, para cabelos pintados, para cabelos loiros, ruivos ou castanhos, para proteger do sol, para dar mais brilho, para dar mais volume, etc. Até já o leite tem que se lhe diga. No tempo dos nossos tetravós, existia leite de vaca e leite de cabra. Mais nada. Hoje já temos leite de soja, leite magro, meio-gordo ou gordo, esp...